15.12.05
Contadora de histórias.
-É isso que eu quero ser quando crescer: escritora!, disse em tom de importância uma menina segura, do alto dos seus seis anos de idade.
Em casa todo mundo achou estranho e até bonitinho essa vocação recém descoberta. Com o incentivo curioso de pai e mãe, os livros começaram a sair aos bolos: todos muito bem coloridos, escritos com letras irregulares num papel ofício cortado com esmero e grampeado com precisão nas pontas. As estórias falavam desse mundo e de mundo imaginários, problemas reais e problemas inventados ganhavam resoluções simples e claras. Mal nenhum acabava sem solução na útima página, não havia desenho final sem sorrisos nos bonecos palitos.
O tempo foi passando e a menina segura foi indo junto, a infância passou como uma brisa leve. Veio então a garota insegura, cheia de medos e angústias. Nem sempre os problemas tinham solução, o papel ofício foi trocado por diários e de públicas, as histórias passaram a ser privadas.
Numa bela manhã, a ainda menina acordou se sentindo mais mulher, o cadeado do diário foi aberto e os textos saíram da gaveta. O sonho de ser escritora foi abandonado e ela se descobriu uma contadora de estórias, o que, convenhamos, é bem melhor do que ser escritora porque tem a liberdade da não-profissão e a força da necessidade.
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