1.9.07

oi, tudo bom?

4.2.07

ao Rio de Janeiro...

Aeroporto lotado, espera, atraso, você. Crianças correndo, barulho, piadas, você. Pequenas coincidências, grandes memórias, gestos simples, você. Ansiedade, melancolia, olhar ao meio, eu.

Não consegui voltar, de você.


eu quero que você venha comigo
todo dia, todo dia...

2.2.07

.

Eu não sei lidar com a realidade. Não sei me dar com o tangível, com o dizível, com histórias cotidianas, com situações ilustradas pelo dia-a-dia. Para sempre, segui com a minha imaginação. Com meus sentimentos exagerados, com as minhas emoções de novela.

Quando a vida real é mais forte que os sonhos, sigo sozinha, calada. Egoísta. Por esses dias, ando de olhos bem abertos e boca fechada. Quero tudo só para mim. Não entendo, não quero entender. Não quero ajuda. Nenhuma opinião. Por mais bondosa que seja. Por melhor que você seja, só quero a mim.

27.1.07

Notícias do lado de cá...

Ou talvez não. ;)

23.1.07

Movo meu rosto no espelho...

minha alma chora,
vejo o Rio de Janeiro.





Ainda não. Mas em breve. Muito em breve. Até a volta, meus queridos.

20.1.07

Semana que vem...

Eu nunca aprendi a abrir mão, sempre me vesti com ares de super-mulher (super-menina, mostly of times) e fiz do meu tempo interminável. Se a falta de fome não me deixa comer agora, quero guardar para depois. De paixões a trabalhos, é assim. O que não cabe agora, será requentado.

Querer tudo ao mesmo tempo me pintou com tintas de teimosia e esperanças, mas também riscou minha rotina com giz de cera de frustrações. E ah! Com essas também não sei lidar. Sou dada a imaginar, a fantasiar situações com cara de comédia romântica e tirar minhas espectativas de manuais de instruções inexistentes.

Em um nem tão belo dia assim, nada acontece. Eu não aconteço. Nesses dias, rio de mim, invento razões ocultas e distantes, me desespero e rio um pouco mais. Arrasto tudo o que posso para dentro do não-acontecido e faço dele um acontecido por si só, com ares de irrealidade e gosto de sonho. Não sei mais diferenciar emoções reais das criadas para me distrair.

Hoje estou tentando achar que a semana que vem não vai mudar a minha vida e que, sim, obrigada, vou dar conta de tudo. Inclusive de mim. Sem guardar nada na geladeira.





ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela me faz chorar
ando tão à flor da pele
que teu olhar na janela me faz morrer
ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde com a vontade de não ser

17.1.07

Você é o que você come..

Parei para pensar nisso, enquanto arrastava distraidamente as folhas de rúcula pelo prato melado de molho shoyo. Verduras orgânicas, muito bem temperadas, com coca-cola.
Doce contradição, doces clichês.

16.1.07

Eu nunca vou escrever poesias. Na poesia sobram sentimentos e faltam palavras, em mim, acontece o oposto: sobram palavras e faltam sentimentos.

24.12.06

Desejos de ano novo.

-Meu bem, acho que perdi nosso ontem.
-Perdeu nada. Eu guardei, na última gaveta do terceiro armário, depois da janela. Coloquei junto com as memórias e embaixo das saudades. Achei que você, com a perspectiva do amanhã, não ia sentir falta.
-Até que você fez bem. Esse negócio de ontem correndo solto pela casa é muito perigoso. Tem que deixar espaço para o nosso hoje, tão novinho. E nosso amanhã chega já.

16.12.06

Não aguentava aquela conversa de novo.
Queria se mostrar entediado para ela.
Forçou um suspiro, que lhe saiu como um soluço.
Com os olhos cerrados, se pensou diferente.
Mas estava errado: todos os solitários são iguais.

24.11.06

Aquela festa.

Joguei meu copo de vinho tinto na tua camisa branca, rodei com os calcanhares no salto fino prata e saí com o calor de todos os olhares vermelhos nas minhas costas. Quase fiquei violeta, mas não virei. Peguei um táxi amarelo, percorri as ruas cinzas e cheguei ao prédio marrom. Paguei ao motorista um dinheiro amassado, ausente de cores, por ser resto teu comigo.

17.11.06

Cor.

Na manhã de natal, Alice correu ansiosa pela casa até a árvore colorida que ocupava metade da sala de jantar. Com olhos rápidos, procurou o embrulho que tinha seu nome, no meio de tantas caixas coloridas, era tarefa difícil achar qualquer coisa. Quando achou, rasgou o papel de presente com fome e com mais fome ainda foi jogando pelo chão os restos da embalagem.

Depois de tanta euforia, não conseguiu esconder sua decepção ao encontrar uma pequena estrela transparente, pendurada por fio de nylon muito grande. Olhou de um lado, olhou de outro. Olhou de cima, olhou de baixo. No final das contas, não conseguiu se decidir sobre o que faria com aquilo.

- Cuidado, Alice. Isso é de vidro e pode quebrar.

Ainda por cima essa, para que serve um brinquedo que pode quebrar? Vidro? Pegou bem na pontinha do fio e suspendeu a estrela, de repente, quatro arcos-íris rodopiaram pela sala, ao perceber que era da sua estrela que eles vinham, Alice pensou assustada: "não é vidro, é cor".

26.10.06

Comunicação

Telê,
Essa casa já é pequena para nós dois, me sinto sufocada e
o ar me falta. Mesmo que você esteja na sala, sinto tua
presença asfixiante no banheiro, na cozinha, no quarto
de hóspedes e no escritório. Simplesmente não consigo
mais. Preciso me libertar.

Isaura.

Pendurou o bilhete na geladeira e saiu a passos lentos.
A resposta ficou pendurada na mesma porta branca e fria por semanas infinitas:

Isa,
Não se preocupe, abriremos novas janelas e construiremos
um quarto a mais. Combinamos tudo no jantar.
Telúbio.

9.10.06

Rodrigo e o céu.

Rodrigo é o tipo de pessoa que consegue passar despercebido e é fato que ele sempre gostou disso, se aperfeiçoando com o passar do tempo. A verdade é que ele feito de olhares e, ao contrário de um corpo bonito e um cabelo brilhante, os olhares são do mundo das sutilezas e causam estranheza para a maioria das pessoas.

A melhor descrição que se pode ter de Rodrigo vem daqueles olhos amendoados, espremidos, rápidos, quase contraditórios quando comparados ao resto do corpo. O olhar de Rodrigo é feito de pequenos momentos, de constante encantamento e eterno descobrir. Dentro daquelas duas pedrinhas brilhantes, o tempo parece não passar e é certeza que daqui a cinqüenta anos elas continuarão exatamente as mesmas: enormes na sua pequenez.

Desde sempre Rodrigou observou mais do que viveu, resultado de uma timidez sufocante que carrega consigo, timidez presa no canto da boca, causadora de sorrisos tortos e em eterna briga com a sua vontade de comer o mundo. Numa madrugada cálida, essa briga encontrou o final: a vergonha se apossou do corpo inteiro e a fome ficou com os olhos. Vocês podem até achar que a tal timidez tinha, enfim, levado a melhor, mas é de Rodrigo que estamos falando e, perto daqueles olhos, tudo é muito pouco.

6.10.06

Ana e a dança.

Ana nasceu numa terça-feira chuvosa de fevereiro. Isso já diz muita coisa sobre ela.

As terças são sempre dias mortos, perdidos ente o começo, o meio e o fim da semana. Especialmente aquela terça, foi morta. A manhã não quis chegar e nada foi colorido. O céu, então, como protesto, se pôs a chorar. Primeiro um choro pequeno, compassado e escasso, depois de lágrimas grossas e pesadas. Seria, portanto, um péssimo dia para conhecer o mundo. Seria, não fosse fevereiro.

Fevereiro é mês faceiro, já vem contrariando janeiro, que teima em querer começar o ano e nunca consegue. Todo mundo sabe que vida nova mesmo só começa depois do reinado de Momo. Feveiro é criança, que teima em nunca crescer, matando todos de inveja com seus vinte e oito dias costumeiros. Mas como é mês indeciso, se dá o luxo de às vezes ter vinte e nove, para fugir do tédio. Fevereiro é carnaval.

E assim era Ana: pedaço discreta, pedaço chorosa e inteira alegria. Passaria despercebida, entre águas correndo, se não tivesse um dia se posto a dançar. Se não tivesse se posto a mexer, com pés de lã e corpo de vento.

Quando Ana dança, o mundo se põe a assistir e qualquer salão fica pequeno, as pessoas ficam pequenas. Não é um fenômeno que se possa ignorar. Quando Ana dança, tudo ao redor se envergonha, se encabula, se esconde. Com movimentos ritmados, às vezes tortos, outras tantas vezes grosseiros, Ana existe.

28.9.06

Perdão.

Hoje sonhei que te perdoava. Estamos sentados frente a frente, desconfortáveis, com olhares perdidos. Eu podia sentir o teu desespero mudo no ar, tocar nele, moldá-lo a minha maneira, fazer dele capricho meu. Você fingia tomar seu café e olhar pela janela. O café estava tão quente que era quase uma presença humana. Éramos, então, quatro: eu, você, o café e seu desespero, percebi nisso metáfora indizível. Mesmo no fim, mesmo em sonhos, nunca sozinhos.

Sádica, eu folheava o jornal displicentemente e jogava os cadernos pelo chão, bagunçando tudo de propósito, como que para te irritar pela última vez. Você, numa coragem súbita, quebra o silêncio. Apenas ergo os olhos, fitando-te friamente e volto a uma notícia tediosa, no caderno de política. Falava alguma coisa sobre um tratado político no Sul da África... você fala, fala, fala. Fala coisas que eu não entendo, ou não lembro. Diz que se arrepende, pede desculpas, promete o céu e felicidade eterna. Continuo a ler, termino mais uma página e a jogo no chão, quase com desprezo. Sentindo o corpo inteiro estremecer, numa raiva contida, você se limita a olhar com o canto do olho a mais uma provocação e ignora, permitindo-se um resto de orgulho.

Ao perceber que ainda somos nós - você, puro orgulho, eu, pura implicância - dou um meio sorriso, sabendo que não tenho o direito de me sentir feliz. Você, de repente, percebe tudo e dá um sorriso largo, criança em dia de natal. Surpresa, apenas arregalo os olhos, você ri do meu espanto. Mais alto. Gargalha. Contagiada, vou sentindo minha boca se abrir, tímida, até se escancarar. Sentimos o corpo tremer e rimos, em uma crise guardada, sem explicação, sem motivo.

Passamos tempo incontável assim, a rir sem motivos e, de repente, paramos. Pela primeira vez, nos olhamos de verdade, com olhos de quem ri, inocentes e carinhosos. Finalmente, nós dois entendemos e, calados, aceitamos nosso destino: orgulho e implicância. Nos perdoamos.

24.9.06

Saudade.

Chegou sem barulho, aos poucos, sem ser convidada. Com passos leves, feitos de algodão, invadiu a sala, ligou a televisão e fez da poltrona a sua morada. O dia se fez noite, a noite se fez madrugada e ela permaneceu.

As semanas levaram embora o estranhamento, o tempo transformou tudo em presença. A visita passou a ser hóspede e depois se descobriu moradora. Já abre o meu guarda-roupa e a geladeira, está no que visto, no que escuto e no que como.

Ao me olhar no espelho, percebi assustada, que não sei se é ela ou se sou eu o que me encara com olhos mortos de fotografia.

31.8.06

Estrelas

Quando te conheci, meus olhos eram criança. Menino assustado que vê besouro colorido e sente a barriga dar voltas, sem saber se nojo ou desejo. Fugi sem olhar para trás.

Um pouco depois, andando distraído pelas ruas, me vi ao teu lado. Antes de qualquer fuga, percebi, nos teus olhos, o efeito do tempo: me senti crescer e te vi anoitecer. Me despedi ao acaso e ao acaso te reencontrei. Percebi que a noite dos teus olhos começava a estrelar e só então me dei conta de que nunca mais poderia fugir.

26.8.06

?

Preciso me (des)encontrar. Num compasso leve, fora do ritmo, numa dança torta. Num pedaço de bolo, num cheiro perdido, no travesseiro amassado, na cama desarrumada. Espero me ter. Sozinha, em preto em branco, em technicolor, transbordando cores. Acompanhada, no céu, em baixo d' água, no chão. Quero me reconhecer. Em fotos, em espelhos, em lembranças. Em você.